terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para reflectir...


Carta do fundador do Wikileaks

7 DEZEMBRO 2010 (CM)

Numa carta publicada no site do jornal The Australian, pouco depois de ser detido, Julian Assange, o fundador do Wikileaks, esclarece algumas dúvidas em relação a si mesmo e ao polémico site, sublinhando que a sua detenção não tem a ver com o as informações divulgadas pelo site..


Assange foi detido por via de um mandato internacional de captura por acusação de abuso sexual na Suécia. Na carta mas o fundador do Wikileaks centra-se no trabalho válido que o site faz.

"A Wikileaks publica sem medo factos que devem ser tornados públicos. Usamos a internet como novo meio de revelação da verdade. Inaugurámos um novo tipo de jornalismo, o jornalismo científico. Trabalhamos com outros media para levar as notícias às pessoas, mas também para provar a verdade ? depois de ler a análise jornalística, é possível consultar o documento original".

"As sociedades democráticas precisam de media fortes, e o Wikileaks faz parte disso. A imprensa ajuda a manter os governos honestos. O Wikileaks revelou algumas verdades inconvenientes sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e revelámos histórias de corrupção em grandes empresas.
Não sou contra as guerras, mas sim contra que os governos mintam às suas populações, que lhes peçam que ponham as suas vidas em risco".

"Além de nós, alguns jornais publicaram alguns documentos em estreia cooperação. Mas apenas nós fomos atacados e sofremos acusações do governo norte-americano, até fui acusado de traição, mesmo sendo cidadão australiano. Dizem que devo ser caçado, como Sarah Palin, ou mesmo assassinado.
Estão a tentar matar o mensageiro ? sem atingir os jornais, porque esses já têm tradição enquanto o Wikileaks não ? por dizer a verdade."

Assange aponta ainda o dedo às contradições: "De cada vez que publicamos material dizer que estamos a colocar vidas em risco; mas depois dizem que as informações não são importantes. Não podem valer as duas posições. Publicamos há quatro anos e nesse tempo já mudámos governos mas ainda ninguém se magoou."

Orçamento do Estado

Todos os nossos governantes falam em cortes das despesas, mas não dizem quais, e aumentam-nos os impostos.
Não ouvi foi nenhum governante falar em:
. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes, profissionalizá-los como no estrangeiro.
. Reforma das mordomias na Assembleia da República como, almoços com sobremesas, digestivos por só € 1,50.
. Acabar com os milhares de Institutos que não servem para nada e tem funcionários e administradores com 2º ou 3º emprego.
. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores de milhares de euros mês e que não servem para nada.
. Redução drástica das Câmaras Municipais, Assembleias, etc.
. Redução drástica das Juntas de Freguesia.
. Acabar com o pagamento de € 200 por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e € 75 nas Juntas de Freguesia.
. Acabar com o Financiamento aos Partidos.
. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc que se deslocam em uso particular pelo País. No estrangeiro isto não acontece.
. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia.
. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros.
. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado.
. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e, respectivas estadias em Lisboa em hotéis cinco estrelas.
. Controlar o pessoal da Função Pública que nunca está no local de trabalho e que faz trabalhos nesse tempo, para o Estado.
. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos.
. Acabar com as várias reformas por pessoa, do pessoal do Estado.
. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.
. Por aí fora. Recuperamos depressa a nossa posição.
. Já estou cansado, fica assim.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Nova sabedoria popular

1) Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a cantar, se vires Sócrates, põe-te a chorar.

2) Quem vai ao mar avia-se em terra; quem vota Sócrates, mais cedo se enterra.

3) Sócrates a rir em Janeiro, é sinal de pouco dinheiro.

4) Quem anda à chuva molha-se; quem vota em Sócrates lixa-se.

5) Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota em Sócrates, tem cem anos de aflição.

6) Gaivotas em terra temporal no mar; Sócrates em Belém, o povinho a penar.


8) Março, marçagão, manhã de Inverno tarde de Verão; Sócrates, Soarão, manhã de Inverno tarde de inferno.

9) Burro carregando livros é um doutor; burro carregando o Sócrates é burro mesmo.

10) Peixe não puxa carroça; voto em Sócrates, asneira grossa.

11) Amigo disfarçado, inimigo dobrado; Sócrates empossado, povinho atropelado.

12) A ocasião faz o ladrão, e de Sócrates um aldrabão.

13) Antes só que mal acompanhado, ou com Sócrates ao lado.

14) A fome é o melhor cozinheiro, Sócrates o melhor coveiro.

15) Olhos que não vêem, coração que não sente, mas aturar o Sócrates, não se faz à gente.

16) Boda molhada, boda abençoada; Sócrates eleito, pesadelo perfeito.

17) Casa roubada, trancas na porta; Sócrates eleito, ervas na horta.

18) Com Sócrates e bolos se enganam os tolos.

19) Não há regra sem excepção, nem Sócrates sem confusão.

Carta de Henrique Raposo a Jorge Coelho

Esta carta tem de ser lida...


Caro Dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com conhecimento para a direcção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.

Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA). Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões, e não a 587 milhões. Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto. Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retractasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V. Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um Zé Ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país. Isto até parece brincadeirinha.

Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?". A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os "lapsos" de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto. E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do actual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtoras. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal. Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração. Não estou a dizer que Sócrates governou com o objectivo de enriquecer as construtoras. Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país. A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS. Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida colectiva do meu país. Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não-transaccionáveis que destruiu o meu futuro próximo. No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retractar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o Alfa e o Ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.