quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Combate à crise financeira pode levar à “confrontação social”




O sociólogo Boaventura de Sousa Santos previu hoje que Portugal assista a confrontação social caso se agravem as medidas de restrição de direitos das pessoas em nome do combate à crise financeira que ameaça a zona euro.

"Esta política convida à confrontação social. Estamos a assistir a roubo de direitos, a roubo de dinheiro que as pessoas pagaram. Quando se fazem cortes nas pensões, o dinheiro não é do Estado. Em grande parte, foi dinheiro que as pessoas investiram nas suas pensões”, salientou, em declarações à agência Lusa.

Na sua óptica, “se as pensões não são garantidas isso é furto, é uma ilegalidade, e as pessoas sentem isso”.

“O mesmo se passa quando os direitos laborais não são respeitados”, frisou Boaventura de Sousa Santos, catedrático da Universidade de Coimbra, referindo que nos EUA, onde actualmente se encontra a leccionar numa universidade, se fala em “furto de salários”.

São as horas extraordinárias que não são pagas, as declarações de falência e “os últimos cheques que nunca são pagos”, os subsídios de férias que não são pagos, enumerou, acrescentando que isso mesmo acontece em Portugal, de “direitos ajustados legalmente que os patrões não cumprem”.

Boaventura de Sousa Santos entende que a confrontação social vai intensificar-se, lembrando os confrontos em Londres e em França, e vaticinando que outros países vão seguir-se.

“Portugal não pode ser excepção. Se as medidas acordadas neste Orçamento não puderem ser suficientes, e elas já são graves, é de esperar que haja contestação social e confrontação”, concluiu.

18.11.2010 - 10:07 Por Lusa

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

CASO BPN: ESCÂNDALO E IMPUNIDADE




A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.

Com 9.710.539.940,09 ¤ (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS.....) poderíamos:

-Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).

-Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.

-Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.

-Construir 5 pontes para travessia do Tejo.

-Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.

Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4.850 carrinhas de transporte de valores!



Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.



Distribuído pelos 10 milhões de portugueses,

caberia a cada um cerca de 971 € !!!



Então e os Dias Loureiro e os Arlindos de Carvalho onde andam?!

Aqui está a falange cavaquista no seu explendor!!!!!

Jon Anderson & Vangelis- I'll find my way home



Excelente momento de qualidade sonora!

Jon Anderson & Vangelis- I'll find my way home

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Debate do orcamento a moda portuguesa



Cartoon by: Henrique Monteiro

Operação policial milionária no clássico de domingo

A operação policial montada em redor do clássico de domingo entre F. C. Porto e Benfica, que mobilizou cerca de 600 agentes dentro e fora do Estádio do Dragão, custou largos milhares de euros ao erário público.

A aparatosa operação policial, montada em redor do encontro F. C. Porto-Benfica, custou ao erário público mais uns bons milhares de euros, já que foram mobilizados cerca de 600 agentes, sem contar com os elementos da GNR presentes no trajecto do autocarro da equipa de Lisboa ao Porto.

Contactado, pelo JN, o Ministério da Administração Interna (MAI), este não especificou a verba que foi gasta com tantos agentes e meios. Recorde-se que esta mobilização geral foi precedida de várias reuniões, em que foi feita a avaliação da situação e se decidiu o número de efectivos a envolver na missão.

Os quatro grupos do Corpo de Intervenção ultrapassaram a centena, a que se somaram os "spoters" (agentes que acompanham as claques e que as conhecem bem...), os elementos "à paisana" que se misturaram com a multidão (um deles detectou o adepto, depois detido, que lançou o objecto que estilhaçou um dos vidros do autocarro benfiquista) e todos aqueles que integraram a operação de controlo das claques dos lisboetas, numa operação que, inclusivamente, envolveu um helicóptero requisitado à Protecção Civil. Além desta "máquina" policial, o F. C. Porto, como clube organizador, requisitou cerca de uma centena de polícias para auxiliarem na vigilância das entradas e saídas do jogo.

Estes agentes, que, normalmente, estão de folga, receberam cerca de 18 euros por quatro horas de serviço. Como curiosidade, refira-se que, se o seu trabalho fosse solicitado por uma empresa, receberiam mais dez euros, uma desigualdade já denunciada pelo Sindicato de Polícia. Assim, os portistas terão gasto, grosso modo, uma quantia que rondou os dois mil euros, excluído o serviço dos stewards presentes no estádio.

Bispos acusam classe política de faltar à verdade

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa apelou hoje, segunda-feira, aos portugueses para não pactuarem com "a teoria dos consensos políticos mínimos que geralmente não resultam em soluções sustentadas".

No discurso de abertura da assembleia plenária da CEP, que decorre em Fátima até à próxima quinta-feira, D. Jorge Ortiga acusou a classe política de faltar à verdade.

"Não podemos deixar de evidenciar também a nossa perplexidade pela falta de verdade nos centros de decisão da gestão pública, pela ausência de vontade em solucionar os desafios actuais e pela ânsia obsessiva do lucro que conduz à desumanização da vida", afirmou.

Segundo o arcebispo primaz de Braga a "inverdade" é "frequentemente resultante de querelas pessoais e de jogos político-partidários pouco transparentes, que aprisionam os líderes aos interesses instalados nas estruturas público-privadas".

"O apelo à justiça e à igualdade surge esvaziado de conteúdo porque sem resultados práticos. As novas gerações não têm expectativas em relação ao futuro, quer pela falta de trabalho, quer por falta de horizontes para a vida", afirmou ainda.

A crise económica foi também referenciada pelo presidente da CEP que apelou "às instâncias governativas para que as classes mais desfavorecidas sejam menos penalizadas e mais ajudadas".

Apelou ainda "à partilha e à solidariedade de todos, sabendo que a sociedade espera gestos concretos da Igreja neste campo".

in JN 08/11/2010

Manuel Alegrão...Poeta e Mamão!!

Vergonhoso... "Nem me lembraria da Reforma!!!!"

Por € 3.215.95 passava a lembrar-me...
Mais uma!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Manuel Alegre vai receber uma reforma de 3.219,95 euros mensais pelo cargo de coordenador!!! De programas de texto da Rádio Difusão Portuguesa que ocupou por alguns meses!!!!. A informação faz parte da lista dos aposentados e reformados divulgada pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), citada pelo Correio da Manhã.
Em declarações ao jornal, Alegre garantiu que nem se lembraria da reforma!!!, se não fosse a CGA a escrever-lhe uma carta. O deputado explicou que foi funcionário da RDP durante «pouco tempo», já que começou a trabalhar na rádio quando voltou do exílio, após o 25 de Abril, e saiu em 1975 quando foi eleito deputado, cargo que ocupou desde então.
«Nunca mais lá trabalhei, mas descontei sempre», disse o deputado.


Comentários:


Descontou sem trabalhar!!!


Como? Num recibo de vencimento que nunca recebia... (se não trabalhava lá)

Tantos anos e nunca se questionou???
Mas que maravilha, descontar e andar pelos corredores da Assembleia da República!!!

Mais um rico exílio.
Mas que belo exemplo este, e vai concorrer para PR!!!!!!!!!!!!

Sério, sério, mas afinal é tão vigarista como todos os outros.

Novo Imposto a partir de Jan de 2011 !!!!

Ouvi dizer que o governo fez contas no Magalhães e, para ajudar a superar a crise, vai criar o Imposto do Pénis.

Até agora o pénis tinha escapado ao IRS. As razões eram estar 99% do tempo pendurado sem emprego, 0,2% do tempo trabalhar às mijinhas, 0,5% do tempo ter trabalho duro e 0,3% do tempo estar metido num buraco.

Além disso, não ajuda nada ter dois dependentes que não arranjam trabalho em lado algum e não têm onde se meter.

A taxa do imposto variará conforme o tamanho, com os escalões seguintes:

25 a 30 cm - imposto sobre bens de luxo............¤ 30.00
20 a 24 cm - imposto sobre postes................. ¤ 25.00
14 a 19 cm - imposto sobre a classe média.........¤ 15.00
10 a 13 cm - imposto sobre a maçada............... ¤ 3.00

Machos que excedam os 30 cm terão que declarar mais-valias de capital.
Qualquer macho abaixo dos 10 cm tem direito a um crédito de imposto.
É obrigatório pagar dentro do prazo. Não serão concedidos prolongamentos!

BEM FEITO!!!


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PDP (Perguntas Do Pénis):

- Haverá multas para levantamentos antecipados?
- O que acontece quando um pénis trabalha por conta própria?
- Quem tiver várias parceiras conta como sociedade?
- As despesas com preservativos são dedutíveis como roupa de trabalho?
- Haverá um agravamento da taxa de imposto para quem não for circuncidado?



Direcção de Serviços do IRS

Para quando medidas destas em Portugal?

Suspeitos de afundarem finanças islandesas começam a ser detidos

Dois ex-directores do banco islandês Kaupthing, nacionalizado de urgência em 2008, foram presos esta quinta-feira. Mas a lista de possíveis detidos envolve mais de 125 personalidades, segundo a imprensa.
Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
Os dois arriscam-se a uma pena de pelo menos oito anos de cadeia, bem como à confiscação de todos os bens a favor do Estado e ao pagamento de grandes indemnizações.
A imprensa islandesa avança que estas são as primeiras de uma longa lista de detenções de responsáveis pela ruína do país, na sequência do colapso bancário e financeiro da Islândia.
Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.
A hipótese de cadeia e confiscação de bens paira também sobre uma dezena de antigos deputados, cerca de 40 gestores e administradores bancários, o antigo director da Banca, os responsáveis pela direcção-geral de Crédito e vários gestores de empresas que facilitaram a fuga de fortunas para o estrangeiro nos dias que antecederam a declaração da bancarrota.
Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita.
Nós por cá… todos bem !!!!!!

Isto sim, são medidas tomadas de forma a ajudar o país a sair de uma crise profunda!

domingo, 7 de novembro de 2010

Descobri o simplex... por Alice Vieira

Tenho mais medo de entrar numa repartição de Finanças ou da Segurança Social do que no consultório do dentista. Por isso, quando entrei na Segurança Social para pedir um documento a provar que não devo nada a ninguém, até tremia. Tirei a senha e, oh alegria!, era a senha 35 e já iam na 14, não devia demorar muito.

Nem valia a pena sentar-me, fiquei encostada à parede a olhar para os que iam chegando, e tirando senhas, e suspirando.

Quando, hora e meia depois, ainda se continuava na senha 14, comecei a não achar graça.

Reparo então - tenho pouca prática destas coisas - numas senhas com a designação de "prioritárias". Pergunto quais as prioridades que abrangem - mas ninguém me sabe responder.

De repente, num ecrã em que passa muita informação a correr, com toda a gente a sorrir muito, a dizerem-nos - a nós, que já ali estamos há horas - como tudo agora é fácil e rápido, descubro que basta uma pessoa ter mais de 65 anos para usufruir dessa benesse.

Tiro outra senha, desta vez a 20, quando já estavam a chamar a 10. Óptimo, agora é que era.

O pior é que se estava na hora do almoço - e ,durante mais de uma hora, nenhuma senha mexeu.

Palavra que temi um levantamento popular. Uma senhora começou a fazer um comício às massas, "devíamos era ir com panelas a São Bento!", mas como a maior parte não estava a perceber o que faziam ali as panelas, ela lá explicou que era uma coisa que tinha acontecido no Chile, mas na sua cabeça as coisas deviam andar um pouco baralhadas porque, dali a momentos, já era a Argentina e as mães da Praça de Maio, e nós que éramos todos uns bananas, que amochávamos tudo. Desiste de esperar e vai embora, ela e mais alguns, e por isso, ao fim de seis horas de ali estar, chamam-me para me informarem que o que eu quero não é com eles.

Deve ser a isto que o nosso primeiro chama o "simplex".

A classe média está a chegar à sopa dos pobres

Ficaram sem ter como pôr comida na mesa e começam agora a engrossar as filas nas instituições que prestam ajuda assistencial. Muitos dos 280 mil portugueses que dependem dos cabazes do Banco Alimentar contra a Fome são da classe média. Tinham emprego, férias, acesso à net e tv por cabo, cartão de crédito. Ficaram com uma casa para pagar ao banco, um subsídio de desemprego que tarda a chegar - quando chega - ou que já acabou. Um carro que já não sai da garagem.


Chegam à Assistência Médica Internacional (AMI), à Caritas ou às Misericórdias e pedem comida, ajuda para pagar os livros dos filhos, a mensalidade da casa, a conta da farmácia. Pedem, sobretudo, que não lhes divulguem o nome, porque nunca se imaginaram na posição de quem faz o gesto de estender a mão a pedir ajuda. "São pessoas que [nas cantinas comunitárias] comem viradas para a parede, têm vergonha de ser vistas ali, se lhes perguntamos o nome, fogem...", ilustra Manuel Lemos, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), em cujos refeitórios comunitários (que substituíram as velhíssimas sopas dos pobres) "a procura aumentou entre 200 a 250 por cento".

Ainda nos refeitórios das misericórdias, as médias etárias baixaram "dos 65 ou mais para os 42 anos ou menos", calcula Manuel Lemos. E que quem ali vai já não são só os sem-abrigo, os velhos e os inempregáveis do costume. Prova-o a forma como se vestem. "São pessoas arranjadas e cuidadas, nota-se que já tiveram a vida mais equilibrada. Ficaram desempregadas, ou aconteceu-lhes outro qualquer desarranjo, mas naturalmente não deitaram a roupa fora...", conjectura o padre Rubens, da Igreja do Marquês, no centro do Porto, onde noite sim, noite sim, comem cerca de 200 pessoas, num serviço que foi concebido no ano passado para 40 (ver texto ao lado).

Na maioria das vezes, os pedidos chegam por email. "Desde o ano passado que nos chegam pedidos de professores, advogados, engenheiros: profissões que nada fazia prever que precisariam de ajuda institucional", diz Daniela Guimarães, educadora social na Cáritas do Porto. Por causa destes novos utentes, a Cáritas ampliou a sua oferta, que era alimentar e de vestuário. "Este ano criámos apoio medicamentoso, e, entre Janeiro e Outubro, investimos 5063 euros em medicação. Os apoios pontuais para pagar a água, a luz ou renda também não existiam, mas as pessoas começaram a chegar aqui já com a luz cortada ou com as casas em situação de execução fiscal e tivemos que começar a intervir aí também."

Na distribuição de roupa também houve alterações. "As terças-feiras à tarde continuaram a ser maioritariamente para os sem-abrigo e depois abrimos mais um dia para as outras pessoas que sempre viveram bem e que de repente...". E que repente ficam com os bolsos vazios a sugerir a necessidade de um emprego. Pessoas que, mesmo com emprego, de repente baixam a cabeça para contar que o dinheiro já não chega sequer para o café diário. "Há dias uma funcionária pública contava-me que, perante as colegas, disse que o médico a proibira de tomar café, porque tinha vergonha de assumir que não tinha dinheiro para as acompanhar."

Na maior parte das vezes, os pedidos chegam quando a retaguarda familiar já se desmoronou. E depois há "os recibos verdes, que não se encaixam nas "gavetas", porque não preenchem os requisitos para nenhum tipo de apoio", nota Daniela Guimarães.

Fechados em casa com fome

Menos mal quando pedem ajuda. Nos centros Porta Amiga, da AMI, 7026 pessoas pediram apoio social no primeiro semestre de 2010. Cerca de 75 por cento do total de 2009. A maioria entre os 21 e os 59 anos, ou seja, com idade para estar a trabalhar. Mas a coordenadora regional do Porto da AMI, Cristina Andrade, lamenta é pelos que não chegam a sair de casa. "Há muita gente fechada em casa, a passar fome. Com vergonha de sair porque nunca na vida pensaram ter que recorrer a uma instituição. Antes de cá chegarem, já venderam o recheio da casa, acumularam dívidas e só vêm quando as coisas estão em tribunal ou quando não têm para dar de comer aos filhos", relata. E insiste numa ideia que há-de repetir várias vezes: "Pedir ajuda é um direito, as pessoas têm que perder a vergonha de o fazer."

Não é algo que vá acontecer facilmente, na óptica do sociólogo Elísio Estanque. "Há aqui uma inconsistência de status. Do ponto de vista simbólico, as pessoas criaram uma imagem e um estatuto de classe média, mas agora vêem-se aflitas porque os orçamentos deixaram de cobrir os consumos a que estavam habituadas, e, portanto, deixaram de ter meios para responder em coerência com essa expectativa simbólica." "Escondem-se, porque ninguém gosta de ostentar a sua miséria, muito menos pessoas que tinham projectado para o exterior um estatuto diferente", especifica o autor do estudo Classes e Desigualdades Sociais em Portugal, publicado em 1997, em co-autoria com José Manuel Mendes. A situação actual só surpreende quem não andou atento aos números. Em 2003, o INE dizia que 20,4 por cento da população estava em risco de pobreza, ou seja, tinha rendimentos inferiores a 414 euros mensais. Em 2008, José Sócrates orgulhava-se de ter reduzido essa taxa para os 18,9 por cento. Se tivéssemos olhado para aqueles números antes das transferências sociais, percebíamos que a taxa de pobreza tinha aumentado na realidade de 41,3 por cento, em 2003, para os 41,5 em 2008. Agora, "o cenário está pior, com um peso muito maior de desempregados entre os pobres", reflecte Bruto da Costa, sem, contudo, arriscar números. Para percebermos como chegamos aqui temos que recuar alguns anos. "Por causa do crescimento económico, do desenvolvimento da administração pública e de um processo de concentração urbana muito brusco, entre outros factores, os trabalhadores começaram a acreditar que podiam pertencer à classe média e isso, aliado à facilidade de crédito, ajudou a que ficassem mais disponíveis para a compra de casas, assim como para os empréstimos para aquisição de carros, telecomunicações, equipamentos de longa duração. Tudo isso criou a ilusão de que a condição de classe média era sólida e estável. Ora, na verdade isso nunca aconteceu, porque as pessoas estavam era endividadas e o que esta crise está a provocar agora é um enorme defraudar dessa expectativa", acentua Estanque. Voltamos aos números: em Agosto, o incumprimento no crédito à habitação ascendia aos 1.957 milhões. E a casa é a última coisa que as pessoas deixam de pagar. "Enquanto tiverem um tecto não são sem-abrigo e conseguem esconder a miséria em que vivem", sublinha Cristina Andrade. No crédito ao consumo, a taxa de incumprimento é um pouco maior: sete por cento do total, ou seja, 1232 milhões de euros. Estanque olha para estes números e vê "uma classe média minimalista que está a atrofiar-se muito rapidamente". No mesmo sentido vai a análise do sociólogo Boaventura Sousa Santos. "A classe média é composta por aqueles que conseguem planear a vida, a ida dos filhos para a universidade, a compra do carro, as férias. Ora, as condições que tornaram possível o seu aparecimento estão a ser destruídas", constata, para concluir que, "se as democracias valem o que vale a classe média, então é evidente que a democracia portuguesa está a cometer suicídio".

in Publico 07/11/2010

sábado, 6 de novembro de 2010

Orçamento do Estado 2011 - Sugestão

Todos os nossos governantes falam em cortes das despesas, mas não dizem quais. aumentos de impostos é só para nós .

Não ouvi foi nenhum governante falar em:

- Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes( entenda-se todos os outros que os acessoriam ) e profissionalizá-los como no estrangeiro.
- Reforma das mordomias na Assembleia da República como, almoços com digestivos a € 1,50.
- Acabar com os milhares de Institutos que não servem para nada e tem funcionários e administradores com 2º ou 3º emprego.
- Acabar com as empresas Municipais, com Administradores de milhares de euros mês e que não servem para nada.( atenção que os há de todos os partidos metidos nisto )
- Redução drástica das Câmaras Municipais, Assembleias, etc.
- Redução drástica das Juntas de Freguesia.
- Acabar com o pagamento de € 200 por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e € 75 nas Juntas de Freguesia.
- Acabar com o Financiamento aos Partidos.
- Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc que se deslocam em uso particular pelo País. No estrangeiro isto não acontece.
- Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia.
- Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros.
- Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado.
- Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e, respectivas estadias em Lisboa em hotéis cinco estrelas.
- Controlar o pessoal da Função Pública que nunca está no local de trabalho e que faz trabalhos nesse tempo, para o Estado.
- Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos.
- Acabar com as várias reformas por pessoa, do pessoal do Estado.
- Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.
- Por aí fora. Recuperamos depressa a nossa posição.
- Já estou cansado, fica assim.


Nós contribuintes pagamos tudo.

Não temos culpa da incompetência que reina nos políticos e governantes dos últimos 25 anos, ou talvez tenhamos porque vamos votando e elegendo e deixando tudo nas mãos deles.

Olha toca lá a apertar o cinto faxabor!

De acordo com a revista Sábado de 21-10-2010, apresentam-se de seguida algumas das despesas do Gabinete do sr. sócrates:

- € 436,70/dia em combustíveis (aos preços de hoje são 4549 km/dia);

- € 382,00/dia em chamadas de telemóvel (são 53 horas/dia ao telefone);

- € 370,00/dia em deslocações e estadas;

- € 750,00/dia em despesas de representação;

- € 276,00/dia em refeições;



Só aqui já vamos em cerca de € 2.216 por dia, mas há mais:

- € 220,00/dia em locação de material de transporte;

- € 72,81/dia em telefone fixo;

- € 1.434/dia em aquisição de bens;



Já vamos em cerca de € 3.940 por dia.



E então que dizer do seguinte:

- 448 são as viaturas da presidência do Conselho de Ministros (Gabinete do sr. sócrates e do sr. pedro silva pereira);

- Desde Outubro de 2009 sócrates nomeou 71 pessoas para o seu gabinete, onde se incluem 13 secretárias e 20 motoristas;



Vale a pena ver o artigo. No total é um gasto médio diário de € 11.391.

ATENÇÃO QUE É MESMO POR DIA…

Artigo do Pravda sobre Portugal

Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo liberal de José Sócrates. Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.

E não é porque eles serem portugueses.

Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e à Austrália.

Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê?

Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente, controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois das suas tropas invadiram o seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. A França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.

E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de que país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da direita) e PS (Socialista, do centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas!!), a troco de quê?

O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza numa base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram bilhões de euros através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada, o resultado de uma inapta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini, Maserati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem.

Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.

E ele é um dos melhores?

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando”) que criou mais problemas com o seu discurso do que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha. Resultando em dois mandatos de José Sócrates; um Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado pelos interesses instalados.

Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares (???) de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.

O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%)

Concordo com o sacrifício (1%)

Um por cento. Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem os resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar!!

É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de rating, que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo de Portugal para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado com as suas ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.

Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido assimilados há séculos pela Espanha.

Que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certos, bem longe de Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política abominável

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru

Assim vai a Justiça em Portugal!

Justiça perde quatro anos a decidir destino de casaco velho

Uma recente decisão do Tribunal da Relação do Porto (TRP)sobre o destino a dar a um "casaco velho e podre" merece ser lida como uma lição de jurispurdência e responder às perguntas: Para que serve a Justiça? A lei serve para perder tempo com nulidades ou resolver problemas?

O TRP decidiu com base numa invulgar história judicial: o Tribunal Judicial de Amarante decidira, em 28 de Outubro de 2009, condenar um indivíduo pelo crime de condução ilegal. Mas veio a verificar-se que lhe tinha sido apreendido um velho casaco de bombazina castanha "em estado de infecta desagregação".

O casaco foi denunciado como tendo sido furtado em 22 de Março de 2006 e foi apreendido dias depois, em 5 de Abril. Em 15 de Junho de 2009, o MP decidiu o arquivamento relativo ao crime de furto. E no passado dia 18 de Janeiro, o casaco foi levado para tribunal para identificação do seu proprietário.

Como ele já tinha falecido, três anos antes, e apesar do próprio MP ter promovido a notificação dos familiares mais próximos, o juiz decidiu, quatro anos depois de o casaco ter sido apreendido, destruir essa peça de roupa, também devido ao seu "estado de infecta desagregação".

Mas o MP recorreu da decisão para o TRP, exigindo que o casaco teria de ser restituído "a quem de direito" e acusou o juiz de ter violado "o disposto nos artigos 109 do CP e o 186º do CPP".

Quatro anos e meio depois do início da história em torno daquele casaco, no passado dia 29 de Setembro, o TRP, por unanimidade, contrariou a tese do MP e dá o recurso como improcedente.

José Vaz Carreto e Joaquim Correia Gomes, da Relação do Porto, dizem que o juiz de Amarante agiu em conformidade com o disposto do artigo 417 do CPP , por considerar que o casaco não tem valor comercial. Salienta, ainda, que, com a sua decisão de ordenar a destruição do casaco, evitou gastos administrativos desnecessários e antecipou o destino a dar à velha e podre peça de vestuário. Para bom entendedor: o lixo.

Por último, o TRP, perante os factos em causa - alegada discussão prolixa em torno do destino a dar a um bem sem valor que provavelmente ninguém quereria, nem a família do seu proprietário ("não nos é indicado quais são os familiares mais próximos", questionam os juízes, - destaca que se fossem seguir "as estritas regras jurídicas" os tribunais acabariam "num mundo de absurdos inúteis, quando não é essa a ideia de lei". Ideia de lei que, para o TRP, é, sim, "solucionar as questões e resolver os problemas, e, no caso, dar destino a um bem desnecessário no processo."

Paulo Penedos lucrou meio milhão com Godinho

O Ministério Público estima em quase meio milhão de euros o saldo positivo dos pagamentos de Manuel Godinho, a Paulo Penedos, em três anos, pela sua mediação junto do pai, José Penedos, presidente da REN, em favor dos interesses das empresas do sucateiro.

O valor consta de acusação do Ministério Público da Comarca do Baixo Vouga tornada pública no final da passada semana, onde é destacado o papel dos dois elementos da família Penedos no caso "Face Oculta" , a trama de influências atribuída ao sucateiro Manuel Godinho.

A investigação da Polícia Judiciária apurou que de 31 de Janeiro de 2006 até Outubro de 2009 " Manuel Godinho entregou a Paulo Penedos pelo menos 1.232.500 euros, sendo 490.500 o saldo líquido favorável a Paulo Penedos dos fluxos financeiros estabelecidos com Manuel Godinho".

O Estado quer reaver 256.630 euros que tinha recebido em numerário e depositado em contas suas, e já arrestou bens deste arguido para o garantir. "Este património do arguido Paulo Penedos não é congruente com o seu rendimento lícito", pelo que considera o MP, "ser presume constituir vantagem de actividade criminosa".

Intermediário

Segundo a acusação, Paulo Penedos tornou-se um elemento "imprescindível", para Manuel Godinho, "tão só no acesso à pessoa do Presidente do Conselho de Administração da REN", José Penedos, uma vez que, diz o MP, "nunca desempenhou funções próprias de advogado para o universo empresarial, directa ou indirectamente, gerido por Manuel Godinho".

Paulo Penedos era o intermediário entre Manuel Godinho e José Penedos, a quem o MP atribui um papel determinante, por ter usado o seu poder na REN para influenciar decisões em benefício de empresas de Godinho e por fazer chegar ao sucateiro informação privilegiada sobre concursos que a empresa levava a cabo, nalguns casos com três meses de antecedência.

O MP situa essa influência pelo menos a partir de 2002, baseado na lista de prendas natalícias que o sucateiro de Ovar tinha por hábito oferecer. Diz a acusação que José Penedos tinha a classificação de "AAAA", a mais elevada em termos de importância atribuída por Godinho aos seus contactos na referida lista.

Apesar do papel atribuído a José Penedos, não foi detectado pela investigação que lhe tenham sido efectuados pagamentos em dinheiro. Existem apenas referências à entrega de prendas, por ocasião do Natal, no valor de cerca de cinco mil euros.
José Penedos é também apontado como responsável pelo recrutamento de Vítor Baptista, director da REN, igualmente arguido no processo.

Confiscados 838 mil euros em contas bancárias

O Ministério Público já declarou perdidos a favor do Estado cerca de 838 mil euros que se encontravam em contas bancárias do arguidos e que não foram justificados pelos seus rendimentos "lícitos". Para o garantir já promoveu o arresto de propriedades e bens pertencentes aos arguidos. O recordista foi Paulo Penedos a quem são reclamados 256.630 euros que recebeu em dinheiro e depositou em contas bancárias suas.

Lopes Barreira, consultor e amigo de Armando Vara, surge logo a seguir, exigindo-lhe o Estado pouco mais de 242 mil euros que também terá recebido.

João Godinho é o seguinte na lista elaborada pelo MP, pois não justificou com os seus rendimentos cerca de 105 mil euros.

A Mário Pinho, ex-director de Finanças, acusado de associação criminosa e corrrupção passiva, são exigidos 57.900 euros que terá recebido em dinheiro, a troco de favores que fez a Manuel Godinho, nomeadamente na passagem de informação relativas a processos do sucateiro no Fisco.

Na acusação são ainda contabilizados cerca de três milhões de euros confiscados no decurso da investigação e que o Ministério Público conseguiu ligar aos crimes que constam na acusação.

in Jn 01/11/2010

Los Mamones!!!

O Sr. Derrapagens é o maior da nossa aldeia!!!

O presidente do grupo Mota-Engil, António Mota, foi constituído arguido e interrogado, ontem, quarta-feira, por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento, no processo Furacão. Mota já liquidou parte dos impostos devidos ao fisco, mas falta-lhe pagar centenas de milhares de euros.

Este é o montante aproximado da dívida pendente que não oferece dúvidas à administração fiscal e ao Ministério Público. Mas uma fonte próxima do inquérito Furacão acrescentou, ao JN, que "a situação da Mota-Engil não é fácil de deslindar, envolve valores muito elevados e continua em investigação", pelo que ainda podem vir a ser apurados novos valores em dívida.

Esta versão é diferente da que Proença de Carvalho, advogado do presidente da Mota-Engil. Aos jornalistas, ontem à noite, à porta do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), disse, ao lado de António Mota: "A empresa regularizou a situação fiscal que está em causa há vários anos".

Proença de Carvalho também desvalorizou a audição de António Mota e o seu estatuto de arguido. "Evidentemente que teria de ser constituído arguido para poder prestar declarações em representação da empresa no processo", afirmou, acrescentando que o seu constituinte só "prestou alguns esclarecimentos, para encerrar o processo".

António Mota foi interrogado durante toda a tarde. E, segundo as informações recolhidas pelo JN, só foi constituído arguido agora, porque o processo tem muitos arguidos (mais de 500) e, como os esquemas engendrados pela Mota-Engil para fugir ao fisco eram muito complexos, a administração fiscal só recentemente apurou novos valores da alegada fraude do grupo. Na primeira fase da investigação, contabilizara um valor na ordem dos milhões de euros, que a Mota-Engil já liquidou.

O DCIAP tem proposto a suspensão provisória do processo a muitos arguidos, que assim se livram de julgamento, a troco do pagamento dos impostos em falta (IVA e IRC). No caso de António Mota, a suspensão do processo é uma hipótese, mas não é um dado adquirido, apurou o JN.

De resto, só depois de concluída a investigação do caso da Mota-Engil é que o DCIAP poderá propor a suspensão do processo a António Mota, bem como aos outros quadros do grupo que também são arguidos.

A investigação sobre as empresas da Mota-Engil, que já motivou diferentes operações de buscas, revela que a holding actuava, num quadro de fraude fiscal e branqueamento de capitais, com a cooperação do Banco Comercial Português (BCP). Os esquemas usados por largas dezenas de empresas investigadas no Furacão obedeciam a padrões diferentes, mas coincidiam no recurso a sociedades offshore e empresas sem actividade real. O objectivo era obter facturação falsa que permitisse empolar despesas e diminuir as obrigações fiscais para com o Estado português.

in JN 04/11/2010

O Polvo continua a espalhar-se por aí...

O grupo de comunicação espanhol Prisa anunciou a sua aliança aos novos donos do jornal francês Le Monde, depois da assinatura, na terça-feira, de um acordo de princípio com o trio de investidores Bergé-Niel-Pigasse.

O pré-acordo dá à Prisa, principal accionista da Media Capital, proprietária da televisão portuguesa TVI, a opção de adquirir 20 por cento da sociedade Le Monde Libre.

Dá também a opção de sair, depois, da sociedade “a um preço fixado mediante acordo com os actuais três accionistas” maioritários.

O documento prevê ainda que a Prisa possa, se assim o manifestar, ter “uma participação activa na definição do futuro do Le Monde, através do reconhecimento dos direitos de veto sobre a nomeação do presidente executivo e sobre o orçamento anual”.

Em comunicado disponível no seu portal, o grupo espanhol adianta que “assinou um pré-acordo com o trio de investidores franceses Pierre Bergé, Matthieu Pigasse e Xavier Niel”, que, através da sociedade Le Monde Libre, compraram 64 por cento do diário Le Monde, comprometendo-se a investir 110 milhões de euros num prazo de quatro anos.

O acordo de intenções oferece à Prisa “a opção de adquirir 20 por cento da sociedade Le Monde Libre”, ao mesmo preço da participação comprada pelos três sócios iniciais, precisa a nota, acrescentando que o grupo espanhol deverá “renunciar aos direitos previstos no pacto de accionistas assinado em 2005 com Le Monde SA”, a sociedade que edita o jornal.

A Prisa detinha até agora 15 por cento da Le Monde SA, mas, depois da recapitalização aprovada na terça-feira em assembleia geral de accionistas, o grupo espanhol viu a sua participação diminuir para cinco por cento.

O jornal Le Monde, altamente endividado, vai poder beneficiar de um balão de oxigénio financeiro com a chegada da sociedade Le Monde Libre, criada pelo homem de negócios Pierre Bergé, associado ao presidente fundador da Free (do grupo de telecomunicações Iliad), Xavier Niel, e ao banqueiro Matthieu Pigasse.

Desvio de verbas na Protecção Civil

A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAI) instaurou um processo disciplinar ao comandante operacional nacional do Comando Nacional de Operações de Socorro (CNOS), Gil Martins, por suspeita de desvio de verbas. Em causa estão 100 mil euros que, em vez de serem usados no pagamento de turnos de funcionários em 2007 e 2008, terão servido para comprar LCD, pneus de automóveis, estadas em hotéis, telemóveis, computadores e até uma consola Nintendo, noticiou o semanário Expresso.

O responsável nacional pelo CNOS, antiga Autoridade Nacional de Protecção Civil, não comenta e diz que vai esperar até que a acusação seja formalizada. O processo foi instruído pela inspectora Cláudia Porto que detectou que os mapas mensais de pessoal e escalas para garantir o funcionamento da sala de operações não correspondiam à verdade. Existiam pessoas a mais que as que compareciam e o dinheiro suplementar recebido serviu para outros fins.

No entanto, um responsável da Protecção Civil afirmou ao DN que em todo o País os comandantes distritais da Protecção Civil dispõem de um "saco azul" que é "gerenciado com os remanescentes das escalas do dispositivo de combate aos fogos florestais". Uma prática, portanto, "normal", sendo "milhares de euros que são canalizados para uma corporação de bombeiros, através de um protocolo de cooperação técnica operacional, que depois são usados em várias despesas". Quando falta um elemento "nas equipas de combate a fogos e não é substituído são 42 euros diários que acabam por reverter para o saco azul", disse.

in Diario de Noticias 07/11/2010

PJ investiga rede de empreiteiro em várias autarquias - Burla BPN/CCA

A investigação sobre as suspeitas de burla aos bancos BPN e Caixa de Crédito Agrícola (CCA), cujo valor ronda os 100 milhões de euros, vai avançar para outras câmaras municipais do País.

Segundo consta dos mandados para as buscas do passado dia 26 de Outubro, emitidos pelo juiz Carlos Alexandre, o principal suspeito do caso, o empresário Carlos Marques tinha uma rede de contactos junto das autarquias, "vereadores, arquitectos e assessores", para lhe "garantir a viabilização ou a criação de aparência de viabilização de terrenos". Com isto nas mãos, através de empresas-fantasma, Carlos Marques obtinha crédito bancário.

A Câmara de Oeiras já está referenciada no processo e há várias na zona do Algarve alvo da atenção dos inspectores da Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária. Isto depois de Luís Duque, vereador na Câmara de Sintra, ter sido constituído arguido neste caso, uma vez que terá tido intervenção no pedido de licenciamento de uma bomba de combustível feito pela empresa Espaço Curvo, referenciada como uma das sociedades instrumentais controladas por Carlos Marques - o único dos nove arguidos do caso que se encontra hoje em prisão preventiva.

O alegado esquema criminoso de Carlos Marques (ver infografia), ainda de acordo com a descrição dos mandados de busca, a que o DN teve acesso, assentava na colocação de várias peças: por um lado, segundo a investigação, havia os dois advogados, Diamantino Morais e Teresa Cantanhede, que "acederam a prestar colaboração a Carlos Marques na formação de várias sociedade nacionais, de carácter instrumental, destinadas a obter financiamentos sem a preocupação de gerar ganhos que permitissem amortizar as responsabilidades assumidas". E são inúmeras as tais empresas referidas nos autos: Blube Boats, Vencimo, Megagold, Eurolondon, Imperceptível Construções, Mama Suma, Top of Pilots e Lots of Hapiness, entre outras.

No lado dos bancos, há suspeitas de que gestores do lado do BPN, como João Abrantes, e na CCA, Carlos Alcobia e Maria João Rocha, satisfizessem os pedidos de crédito feitos por aquelas sociedades, independentemente do valor real das garantias prestadas, a troco de comissões.

O objectivo do empreiteiro seria o encadeamento de financiamentos bancários, em que uns "tapavam" outros, criando um verdadeiro carrossel de crédito que estaria alicerçado em garantias sobreavaliadas ou, simplesmente, falsas. Segundo o juiz Carlos Alexandre, o "desenvolvimento deste esquema permitiu aos suspeitos obterem elevados proveitos económicos em detrimento de uma perda em sede fiscal".

É neste contexto que, ainda segundo o mandado de busca, entra uma nova personagem: Carlos Ortigueira, registado na CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) como um dos intermediários oficiais do Deutsche Bank. E, tendo em conta o seu "conhecimento do mundo financeiro", Carlos Ortigueira terá "desenvolvido operações de colocação de fundos no exterior, designadamente obtendo entidades-veículo e contas bancárias na Suíça", escreveu o juiz Carlos Alexandre, identificando o banco BPN Paribas como o veículo utilizado para tais operações. Aliás, Carlos Ortigueira foi sócio de algumas das empresas que estão sob suspeita.

O esquema de eventual colocação de lucros no exterior terá ainda passado pela Davos Finance, uma empresa especializa na criação de sociedades offshore. No processo da burla estão identificadas cinco sociedades que terão sido utilizadas para a ocultação do dinheiro: Templeton, Nylat, Antélia, Emera e a Milton International Investments.

Os mandados de busca referem ainda o nome de Alcina Andrade como uma das pessoas que auxiliaram Carlos Marques no esquema em causa. Ao que o DN apurou, trata-se da companheira do empresário que, paulatinamente, foi sendo afastada da gerência das empresas em causa. Ambos já tinham sido investigados no caso da Universidade Independente.

in Diario de Noticias 07/11/2010