sábado, 6 de novembro de 2010

Paulo Penedos lucrou meio milhão com Godinho

O Ministério Público estima em quase meio milhão de euros o saldo positivo dos pagamentos de Manuel Godinho, a Paulo Penedos, em três anos, pela sua mediação junto do pai, José Penedos, presidente da REN, em favor dos interesses das empresas do sucateiro.

O valor consta de acusação do Ministério Público da Comarca do Baixo Vouga tornada pública no final da passada semana, onde é destacado o papel dos dois elementos da família Penedos no caso "Face Oculta" , a trama de influências atribuída ao sucateiro Manuel Godinho.

A investigação da Polícia Judiciária apurou que de 31 de Janeiro de 2006 até Outubro de 2009 " Manuel Godinho entregou a Paulo Penedos pelo menos 1.232.500 euros, sendo 490.500 o saldo líquido favorável a Paulo Penedos dos fluxos financeiros estabelecidos com Manuel Godinho".

O Estado quer reaver 256.630 euros que tinha recebido em numerário e depositado em contas suas, e já arrestou bens deste arguido para o garantir. "Este património do arguido Paulo Penedos não é congruente com o seu rendimento lícito", pelo que considera o MP, "ser presume constituir vantagem de actividade criminosa".

Intermediário

Segundo a acusação, Paulo Penedos tornou-se um elemento "imprescindível", para Manuel Godinho, "tão só no acesso à pessoa do Presidente do Conselho de Administração da REN", José Penedos, uma vez que, diz o MP, "nunca desempenhou funções próprias de advogado para o universo empresarial, directa ou indirectamente, gerido por Manuel Godinho".

Paulo Penedos era o intermediário entre Manuel Godinho e José Penedos, a quem o MP atribui um papel determinante, por ter usado o seu poder na REN para influenciar decisões em benefício de empresas de Godinho e por fazer chegar ao sucateiro informação privilegiada sobre concursos que a empresa levava a cabo, nalguns casos com três meses de antecedência.

O MP situa essa influência pelo menos a partir de 2002, baseado na lista de prendas natalícias que o sucateiro de Ovar tinha por hábito oferecer. Diz a acusação que José Penedos tinha a classificação de "AAAA", a mais elevada em termos de importância atribuída por Godinho aos seus contactos na referida lista.

Apesar do papel atribuído a José Penedos, não foi detectado pela investigação que lhe tenham sido efectuados pagamentos em dinheiro. Existem apenas referências à entrega de prendas, por ocasião do Natal, no valor de cerca de cinco mil euros.
José Penedos é também apontado como responsável pelo recrutamento de Vítor Baptista, director da REN, igualmente arguido no processo.

Confiscados 838 mil euros em contas bancárias

O Ministério Público já declarou perdidos a favor do Estado cerca de 838 mil euros que se encontravam em contas bancárias do arguidos e que não foram justificados pelos seus rendimentos "lícitos". Para o garantir já promoveu o arresto de propriedades e bens pertencentes aos arguidos. O recordista foi Paulo Penedos a quem são reclamados 256.630 euros que recebeu em dinheiro e depositou em contas bancárias suas.

Lopes Barreira, consultor e amigo de Armando Vara, surge logo a seguir, exigindo-lhe o Estado pouco mais de 242 mil euros que também terá recebido.

João Godinho é o seguinte na lista elaborada pelo MP, pois não justificou com os seus rendimentos cerca de 105 mil euros.

A Mário Pinho, ex-director de Finanças, acusado de associação criminosa e corrrupção passiva, são exigidos 57.900 euros que terá recebido em dinheiro, a troco de favores que fez a Manuel Godinho, nomeadamente na passagem de informação relativas a processos do sucateiro no Fisco.

Na acusação são ainda contabilizados cerca de três milhões de euros confiscados no decurso da investigação e que o Ministério Público conseguiu ligar aos crimes que constam na acusação.

in Jn 01/11/2010

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